Resposta direta: o Painel IST em 24 horas é um exame molecular por PCR que detecta oito agentes de infecções sexualmente transmissíveis numa única amostra de urina — incluindo clamídia, gonorreia, tricomoníase e herpes tipos 1 e 2.
A análise leva 64 minutos. Com autocoleta em casa, o laudo sai em até 24 horas úteis após a amostra chegar ao laboratório; na unidade de São Paulo, em até 2 horas após a coleta. A consulta médica para interpretar o resultado e prescrever o tratamento, quando indicado, já está inclusa.
Quem faz um exame de IST raramente está tranquilo. Pode ter sido uma relação sem preservativo, um sintoma que apareceu, uma conversa difícil com a parceria. Em todos esses casos, a pergunta que pesa é a mesma: e agora?
O exame tradicional costuma responder essa pergunta em uma semana ou mais. E o resultado, quando chega, ainda exige marcar consulta para decidir o que fazer. Este artigo explica por que encurtar esse intervalo importa — e, com a mesma honestidade, o que um exame de urina consegue e não consegue responder.
Por que o tempo importa em IST
Em muitos exames, esperar uma semana pelo laudo não muda nada. Em infecção sexualmente transmissível, muda.
A ansiedade tem custo
Dias esperando um resultado depois de uma exposição de risco são dias de preocupação, de evitar contato, de adiar conversas. Não é um detalhe de conveniência.
O tratamento começa mais cedo
Várias ISTs bacterianas têm tratamento eficaz. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais cedo começa o tratamento e menor o tempo em que a infecção pode causar complicações.
A transmissão para mais cedo
Enquanto não há diagnóstico, há risco de passar a infecção adiante — muitas vezes sem saber. Várias ISTs, como a clamídia, frequentemente não causam sintoma nenhum.1,2 E elas são comuns: a Organização Mundial da Saúde estima mais de 376 milhões de novos casos por ano de clamídia, gonorreia, tricomoníase e sífilis, o equivalente a mais de 1 milhão por dia entre pessoas de 15 a 49 anos.3 Um resultado rápido permite orientar a pessoa e a parceria antes de novas exposições.
A tecnologia: PCR em cartucho fechado
O exame usa PCR, a reação em cadeia da polimerase — o mesmo princípio dos exames moleculares de referência. Em vez de procurar anticorpos, ele procura o material genético do próprio agente na amostra. Se o DNA da clamídia está ali, o exame o encontra; se não está, não há o que amplificar.
A diferença está em como o PCR é feito.
Três etapas num único dispositivo
No PCR convencional, a amostra passa por etapas separadas, em equipamentos e momentos diferentes: primeiro se extrai o material genético, depois ele é transferido para a reação de amplificação, depois vem a leitura. Cada transferência consome tempo e é uma oportunidade de contaminação.
Neste exame, a urina é colocada em um cartucho fechado que faz as três etapas sozinho — extração, amplificação e detecção — sem que a amostra seja manipulada entre uma e outra. O preparo leva menos de um minuto. A análise completa, 64 minutos.
Multiplex: oito perguntas numa só reação
O PCR é multiplex: procura os oito agentes ao mesmo tempo, na mesma amostra, cada um com seu alvo genético específico. Não é preciso uma coleta ou um exame para cada infecção.
Em tempo real
No PCR em tempo real, a amplificação de cada alvo é acompanhada por fluorescência a cada ciclo da reação. O equipamento não espera o fim do processo para "olhar" o resultado: ele registra o sinal enquanto a reação acontece, o que dá rapidez e precisão à leitura.
Controles em cada cartucho
Cada cartucho traz um controle interno, que confirma que a reação funcionou, e um controle de amostra, que confirma que havia material adequado para análise. Um resultado negativo só é liberado quando os dois indicam que o teste foi válido — um negativo por falha técnica não passa como negativo real.
Sensibilidade analítica
O limite de detecção é a menor quantidade do agente que o teste consegue identificar. Os valores deste painel:
| Agente | Limite de detecção |
|---|---|
| Chlamydia trachomatis | 3,8 IFU/mL |
| Neisseria gonorrhoeae | 1,3 CFU/mL |
| Mycoplasma genitalium | 0,02 bactérias/mL |
| Mycoplasma hominis | 0,06 CFU/mL |
| Ureaplasma urealyticum | 0,5 CCU/mL |
| Trichomonas vaginalis | 6 trofozoítos/mL |
| Herpes simples tipo 1 | 7 TCID50/mL |
| Herpes simples tipo 2 | 148 PFU/mL |
São quantidades muito pequenas — é o que permite detectar infecções que ainda não causam sintomas. Mesmo assim, um resultado negativo não descarta infecção abaixo desse limite.
Os oito agentes investigados
| Agente | Nome popular | O que vale saber |
|---|---|---|
| Chlamydia trachomatis | Clamídia | A IST bacteriana mais comum; frequentemente sem sintomas |
| Neisseria gonorrhoeae | Gonorreia | Associada a corrimento e ardência ao urinar, mas também pode ser silenciosa |
| Trichomonas vaginalis | Tricomoníase | Parasita; causa corrimento e irritação, com frequência sem sintomas nos homens |
| Mycoplasma genitalium | — | Responde por 10% a 35% das uretrites masculinas não causadas por clamídia ou gonorreia; associada a cervicite e doença inflamatória pélvica4 |
| Mycoplasma hominis | — | Pode estar presente sem causar doença; o significado depende do quadro |
| Ureaplasma urealyticum | — | Pode estar presente sem causar doença; o significado depende do quadro |
| Herpes simples tipo 1 | HSV-1 | Tradicionalmente oral, também causa herpes genital |
| Herpes simples tipo 2 | HSV-2 | Principal causa de herpes genital |
Herpes na urina: o que o resultado significa
Este é o ponto que mais gera dúvida, e vale a pena ser preciso.
O PCR detecta o material genético do vírus quando ele está sendo eliminado. Um resultado positivo indica que havia vírus na amostra naquele momento. Isso é diferente da sorologia no sangue, que mostra se a pessoa já teve contato com o vírus em algum momento da vida.
O herpes, porém, permanece latente no organismo e é eliminado de forma intermitente. Num estudo que acompanhou quase 500 pessoas com herpes tipo 2 com coletas diárias, o vírus apareceu nas secreções genitais em cerca de 1 a cada 5 dias entre quem tinha sintomas e em 1 a cada 10 dias entre quem nunca teve sintomas.6 Por isso, um resultado negativo na urina não exclui que a pessoa tenha herpes: significa que não havia vírus detectável naquela amostra. Diante de uma lesão ativa, a amostra colhida diretamente da lesão é a mais informativa, e isso deve ser conversado com o médico.
O que este exame não investiga
Um exame de urina detecta o que está na urina. Uma avaliação completa de saúde sexual costuma envolver outros exames:
HIV, sífilis e hepatites B e C
São investigados no sangue, por sorologia. Não aparecem num exame de urina.
HPV
Exige amostra do colo do útero, da região genital ou anal. Veja como funciona a autocoleta de HPV.
Infecções restritas a outros locais
Infecções limitadas à garganta ou ao reto podem não aparecer na urina — e a maioria das infecções retais por clamídia e gonorreia não dá sintoma.7 Se houve exposição oral ou anal, vale dizer isso na consulta.
Quando fazer — e quando esperar
O exame faz sentido após uma relação sem preservativo, diante de corrimento, ardência ao urinar, coceira ou desconforto íntimo, na triagem de casal no início de um relacionamento e quando os sintomas voltaram depois de um tratamento.
Um cuidado: cada infecção tem um tempo próprio até se tornar detectável. Testar cedo demais após uma exposição pode dar negativo mesmo havendo infecção. Se a relação de risco foi muito recente, fale com a equipe antes de comprar — o médico orienta o melhor momento e se vale repetir o exame depois.
A parceria também importa
Se o resultado vier positivo para uma IST, a parceria sexual em geral também precisa ser avaliada e, quando indicado, tratada. Sem isso, a reinfecção é comum.1,2 Cada pessoa faz o próprio exame e recebe o próprio laudo e a própria consulta.
Para entender a gonorreia em detalhe, leia também o artigo sobre gonorreia.
Como funciona
Em casa, em todo o Brasil: você recebe o kit, coleta a urina com privacidade — de preferência a primeira da manhã, ou após ao menos 4 horas sem urinar — e solicita a retirada. Frete de envio e retirada incluídos. As 24 horas contam a partir da chegada da amostra ao laboratório, não da compra.
Na unidade de São Paulo: coleta no Higienópolis Medical Center, com resultado em até 2 horas no mesmo dia. Agende antes pelo WhatsApp: o mesmo dia depende de haver tempo hábil de análise antes do fechamento.
Não é necessário pedido médico. O atendimento é confidencial e o laudo é digital, com acesso protegido.
Resultado rápido, conduta no mesmo lugar
Oito agentes numa amostra de urina, autocoleta para todo o Brasil ou resultado em até 2 horas em São Paulo, com consulta médica inclusa para interpretar o laudo e prescrever o tratamento quando indicado.
Perguntas frequentes
Existe exame de IST com resultado rápido?
As 24 horas contam a partir da compra?
Exame de urina detecta herpes?
Ureaplasma ou Mycoplasma hominis positivo é doença?
Transei sem camisinha ontem. Já posso fazer?
O exame detecta HIV e sífilis?
Se der positivo, o médico já prescreve o tratamento?
Preciso de pedido médico?
O atendimento é confidencial?
Referências
- Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA, et al. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021. MMWR Recomm Rep. 2021;70(4):1-187. doi:10.15585/mmwr.rr7004a1
- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília: Ministério da Saúde, 2022. ISBN 978-65-5993-276-4. bvsms.saude.gov.br
- Rowley J, Vander Hoorn S, Korenromp E, et al. Chlamydia, gonorrhoea, trichomoniasis and syphilis: global prevalence and incidence estimates, 2016. Bull World Health Organ. 2019;97(8):548-562P. doi:10.2471/BLT.18.228486
- Jensen JS, Cusini M, Gomberg M, et al. 2021 European guideline on the management of Mycoplasma genitalium infections. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2022;36(5):641-650. doi:10.1111/jdv.17972
- Horner P, Donders G, Cusini M, et al. Should we be testing for urogenital Mycoplasma hominis, Ureaplasma parvum and Ureaplasma urealyticum in men and women? A position statement from the European STI Guidelines Editorial Board. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2018;32(11):1845-1851. doi:10.1111/jdv.15146
- Tronstein E, Johnston C, Huang ML, et al. Genital shedding of herpes simplex virus among symptomatic and asymptomatic persons with HSV-2 infection. JAMA. 2011;305(14):1441-1449. doi:10.1001/jama.2011.420
- de Vries HJC, Nori AV, Kiellberg Larsen H, et al. 2021 European Guideline on the management of proctitis, proctocolitis and enteritis caused by sexually transmissible pathogens. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2021;35(7):1434-1443. doi:10.1111/jdv.17269