Metabolômica é o estudo das pequenas moléculas que o corpo produz e consome. Explicamos o que ela mede, o que os estudos já mostraram e como funciona o OMX, exame que analisa 116 metabólitos na urina.
Por que exames normais nem sempre explicam os sintomas
É frequente o paciente chegar à consulta com um check-up dentro dos intervalos de referência e, ainda assim, queixas persistentes de cansaço, dificuldade de concentração, sono ruim ou alterações de peso. Os exames de rotina identificam bem doenças estabelecidas, mas medem, em geral, a concentração de substâncias circulantes, e não o funcionamento das vias bioquímicas que as utilizam.
A metabolômica acrescenta essa outra camada de informação. Ela não diagnostica doenças e não substitui os exames convencionais; mostra como o metabolismo está operando no momento da coleta.
O que é metabolômica
Metabolômica é o estudo do metaboloma, o conjunto das pequenas moléculas (metabólitos) que as células produzem e consomem como resultado do metabolismo. Esses metabólitos refletem a interação entre genética, dieta, microbioma intestinal, ambiente e estilo de vida.
A comparação com as outras áreas "ômicas" ajuda a situar o exame. A genômica estuda os genes, isto é, o que foi herdado. A proteômica estuda as proteínas que as células estão produzindo. A metabolômica estuda os metabólitos, que são o produto final dessas interações.
Por isso os metabólitos são descritos na literatura como um retrato, em um determinado momento, de um sistema biológico complexo. A genética indica predisposições; o metaboloma mostra o que está acontecendo agora.
Fonte: Krautkramer KA, Fan J, Bäckhed F. Gut microbial metabolites as multi-kingdom intermediates. Nat Rev Microbiol. 2021;19(2):77-94. doi:10.1038/s41579-020-0438-4
Como a metabolômica funciona na prática
Cada reação química do organismo é catalisada por uma enzima e depende de cofatores nutricionais, como vitaminas e minerais. Quando a enzima funciona bem e os cofatores estão disponíveis, os intermediários passam de uma etapa à outra da via bioquímica sem se acumular.
Quando algo limita a via (uma variante genética que reduz a atividade da enzima, uma deficiência funcional de vitamina, uma substância que inibe a reação), os intermediários tendem a se acumular e parte deles é eliminada pela urina. Medir esses metabólitos permite inferir quais vias estão funcionando bem e quais estão sobrecarregadas.
Entre as vias avaliadas pela metabolômica urinária estão a produção de energia mitocondrial (ciclo de Krebs e beta-oxidação de ácidos graxos), o metabolismo de aminoácidos, a síntese e a degradação de neurotransmissores, o eixo do estresse (cortisol e cortisona), o status de glutationa e a atividade metabólica do microbioma intestinal.
O que diferencia a metabolômica de um exame de sangue
O exame de sangue de rotina mede, em geral, substratos circulantes. A metabolômica urinária mede produtos do funcionamento das vias. São janelas diferentes para o mesmo organismo.
A vitamina B12 é um bom exemplo. Alterações no transporte da B12 no sangue ou na captação e no uso pela célula podem causar deficiência intracelular, e por isso o diagnóstico não se apoia apenas na B12 total circulante: entre os biomarcadores do status de B12 estão também a homocisteína e o ácido metilmalônico, que se elevam quando a vitamina não está sendo usada adequadamente. A revisão também registra que os pontos de corte para classificar deficiência clínica e subclínica ainda são debatidos.
Fonte: Green R, Allen LH, Bjørke-Monsen AL, et al. Vitamin B12 deficiency. Nat Rev Dis Primers. 2017;3:17040. doi:10.1038/nrdp.2017.40
O que os estudos mostram sobre metabolômica
A metabolômica é usada há mais de uma década em pesquisa clínica. Três linhas de evidência ajudam a entender o seu alcance e os seus limites.
Diabetes tipo 2. Em um estudo prospectivo com 2.422 pessoas com glicemia normal, acompanhadas por 12 anos, 201 desenvolveram diabetes. Cinco aminoácidos de cadeia ramificada e aromáticos (isoleucina, leucina, valina, tirosina e fenilalanina), medidos no sangue por LC-MS no início do acompanhamento, associaram-se ao diabetes futuro; quem estava no quartil superior de uma combinação de três aminoácidos teve risco mais de cinco vezes maior. O resultado foi replicado em uma segunda coorte.
Fonte: Wang TJ, Larson MG, Vasan RS, et al. Metabolite profiles and the risk of developing diabetes. Nat Med. 2011;17(4):448-453. doi:10.1038/nm.2307
Saúde mental. Uma metanálise de 101 estudos, com 10.912 participantes, encontrou triptofano e quinurenina reduzidos no transtorno depressivo maior, no transtorno bipolar e na esquizofrenia, o que sugere um desvio do metabolismo do triptofano da via da serotonina para a via da quinurenina. Nos transtornos de humor, o ácido quinurênico e a razão entre ácido quinurênico e ácido quinolínico também estavam reduzidos.
Fonte: Marx W, McGuinness AJ, Rocks T, et al. The kynurenine pathway in major depressive disorder, bipolar disorder, and schizophrenia: a meta-analysis of 101 studies. Mol Psychiatry. 2021;26(8):4158-4178. doi:10.1038/s41380-020-00951-9
Microbioma intestinal. As bactérias intestinais produzem metabólitos que atuam no organismo como moléculas sinalizadoras e como substratos de reações metabólicas, o que faz da medida desses compostos uma forma de estudar a interação entre o microbioma e o hospedeiro.
Fonte: Krautkramer KA, Fan J, Bäckhed F. Gut microbial metabolites as multi-kingdom intermediates. Nat Rev Microbiol. 2021;19(2):77-94. doi:10.1038/s41579-020-0438-4
Vale dizer que esses estudos comparam grupos de pessoas e mostram associações, em sua maioria a partir de amostras de sangue e em contexto de pesquisa. Eles ajudam a entender as vias avaliadas, mas não transformam um resultado individual em diagnóstico.
O exame OMX
O OMX (Organic Metabolomics) analisa 116 metabólitos em uma única amostra de urina, por LC-MS/MS (cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas em tandem). Os resultados são normalizados pela creatinina, o que corrige a variação de concentração da urina.
O exame é realizado nos Estados Unidos, pelo Diagnostic Solutions Laboratory, em Atlanta (Geórgia), laboratório com certificação CLIA. Na Vinci, cuidamos do kit, da triagem da amostra no Brasil, do envio internacional, da tradução do laudo e da consulta médica de interpretação. Os detalhes estão na página do exame OMX.
O laudo organiza os 116 marcadores em seis categorias funcionais.
1. Processamento metabólico
Glicólise, ciclo de Krebs, beta-oxidação de gorduras e corpos cetônicos: marcadores da produção de energia celular, que não fazem parte dos painéis de rotina.
2. Aminoácidos e proteínas
Avalia a adequação proteica e os aminoácidos precursores de neurotransmissores, como triptofano, fenilalanina e tirosina.
3. Nutrição
Marcadores funcionais do complexo B (B1, B2, B3, B5, ácido lipoico), B12, folato, B6 e biotina. Indicam se as vias que dependem dessas vitaminas estão operando, o que complementa a dosagem do nível circulante.
4. Estresse e humor
Cortisol e cortisona urinários, metabólitos de catecolaminas, serotonina e GABA, e o eixo do triptofano.
5. Impactos tóxicos
Marcador de dano oxidativo ao DNA (8-OHdG), metabólitos de exposição a solventes (xileno, estireno), status de glutationa, ciclo da ureia, microalbumina e oxalatos.
6. Metabólitos microbianos
Produtos da fermentação intestinal de proteínas, polifenóis e isoflavonas, como hipurato, equol, 4-OH-fenilacetato e indolacetato. Essa categoria complementa a análise de microrganismos nas fezes feita pelo GI-MAP.
Para quem o OMX faz sentido
O OMX é usado por médicos e nutricionistas de medicina funcional, integrativa, longevidade e nutrição clínica como ferramenta complementar de investigação. Em geral, é solicitado nas seguintes situações:
- fadiga crônica, intolerância ao exercício, névoa mental e dores difusas sem causa definida;
- dificuldade para perder ou ganhar peso, obesidade, diabetes e esteatose hepática em acompanhamento;
- idosos com perda de massa muscular ou função renal comprometida;
- disbiose e sintomas digestivos persistentes, em geral junto com o GI-MAP;
- exames de sangue normais com sintomas que persistem;
- exposição a tabaco, álcool, solventes ou produtos químicos;
- acompanhamento de mudanças de dieta, suplementação e hábitos, com comparação antes e depois;
- linha de base metabólica em pessoas saudáveis.
Em contextos clínicos específicos, como humor, sono, memória ou neurodesenvolvimento, a indicação fica a critério do profissional que acompanha o paciente.
O OMX não é exame de rastreamento nem de diagnóstico de doenças. Em particular, não é indicado para rastrear ou prever doença de Alzheimer ou outras doenças neurodegenerativas, inclusive em quem tem histórico familiar. Quem tem queixa de memória deve passar por avaliação médica; nesse contexto, existem exames próprios, como os biomarcadores sanguíneos de Alzheimer, indicados para pacientes que já têm sintomas.
O que esperar do laudo
O laudo tem duas camadas. A primeira é uma visão geral, em forma de radar, que mostra quais das seis categorias demandam mais atenção. A segunda é o detalhamento por marcador, com o valor medido, o intervalo de referência, a posição no quintil populacional e a descrição do que significa estar acima ou abaixo do esperado.
O OMX não fornece diagnósticos: ele descreve vias e padrões, com intervalos de referência funcionais definidos pelo laboratório executor. A interpretação depende da história clínica e dos sintomas. Por isso, todo OMX na Vinci inclui consulta médica de interpretação no Núcleo de Acompanhamento Médico (NAM).
Como é a coleta
- O exame é comprado online ou pelo WhatsApp.
- O kit de autocoleta chega em casa, com frasco coletor estéril, instruções e embalagem refrigerada para retorno. Em São Paulo, a coleta também pode ser feita na unidade da Vinci.
- Nas 48 horas anteriores, o paciente evita frutas em grande quantidade, geleias e doces concentrados e suspende suplementos não essenciais, mantendo o restante da alimentação habitual.
- Após jejum noturno (apenas água), coleta a primeira urina da manhã.
- Agendamos a retirada por portador na Grande São Paulo, ou o envio pelos Correios com etiqueta pré-paga nas demais regiões.
- A amostra é triada no Brasil e enviada ao laboratório nos Estados Unidos.
- O laudo fica pronto em 22 dias úteis a partir do recebimento da amostra pela Vinci, e a consulta de interpretação é agendada em seguida.
O kit, a logística internacional, a tradução do laudo e a consulta estão incluídos no valor do exame.
Perguntas frequentes
O que é metabolômica?
Metabolômica é o estudo do conjunto de pequenas moléculas (metabólitos) que as células produzem e consomem. Como esses metabólitos resultam da interação entre genética, dieta, microbioma intestinal, ambiente e estilo de vida, eles mostram como o metabolismo está funcionando no momento da coleta.
Qual a diferença entre metabolômica e exame de sangue convencional?
Os exames de sangue de rotina medem principalmente a concentração de substâncias circulantes, como glicose, colesterol e vitaminas, e são o padrão para diagnosticar doenças. A metabolômica mede metabólitos que refletem o funcionamento das vias bioquímicas. As informações são complementares, e o OMX não substitui os exames de sangue.
O que o exame OMX analisa?
O OMX quantifica 116 metabólitos em uma única amostra de urina, por LC-MS/MS, com resultados normalizados pela creatinina. O laudo organiza os marcadores em seis categorias: processamento metabólico, aminoácidos e proteínas, nutrição, estresse e humor, impactos tóxicos e metabólitos microbianos.
O OMX serve para rastrear Alzheimer ou outras doenças?
Não. O OMX não é exame de rastreamento nem de diagnóstico de doenças, e não é indicado para rastrear ou prever doença de Alzheimer ou outras doenças neurodegenerativas. Quem tem queixa de memória deve passar por avaliação médica, que define os exames adequados.
Onde o OMX é analisado e em quanto tempo sai o resultado?
A análise é feita nos Estados Unidos, pelo Diagnostic Solutions Laboratory, em Atlanta (Geórgia). O prazo é de 22 dias úteis a partir do recebimento da amostra pela Vinci, e inclui a triagem no Brasil, o envio internacional, a análise, a tradução do laudo e a validação pelo médico responsável.
Como é a coleta e qual o preparo do OMX?
É uma autocoleta da primeira urina da manhã, com kit enviado para todo o Brasil; em São Paulo, a coleta também pode ser feita na unidade da Vinci. Nas 48 horas anteriores, o paciente deve evitar frutas em grande quantidade, geleias e doces concentrados e suspender suplementos não essenciais, mantendo o restante da alimentação habitual, com jejum noturno (apenas água).
Preciso de pedido médico para fazer o OMX?
Não. A consulta médica de interpretação está inclusa. Se um médico ou nutricionista já solicitou o exame, o pedido pode ser enviado à nossa equipe, e o laudo pode ser compartilhado com o profissional que acompanha o paciente.
Próximo passo
Na página do OMX estão o preparo completo, o laudo de exemplo e as formas de pagamento. Para tirar dúvidas sobre a indicação ou a logística da coleta, nossa equipe atende pelo WhatsApp.
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Referências científicas
- Wang TJ, Larson MG, Vasan RS, et al. Metabolite profiles and the risk of developing diabetes. Nat Med. 2011;17(4):448-453. doi:10.1038/nm.2307
- Marx W, McGuinness AJ, Rocks T, et al. The kynurenine pathway in major depressive disorder, bipolar disorder, and schizophrenia: a meta-analysis of 101 studies. Mol Psychiatry. 2021;26(8):4158-4178. doi:10.1038/s41380-020-00951-9
- Krautkramer KA, Fan J, Bäckhed F. Gut microbial metabolites as multi-kingdom intermediates. Nat Rev Microbiol. 2021;19(2):77-94. doi:10.1038/s41579-020-0438-4
- Green R, Allen LH, Bjørke-Monsen AL, et al. Vitamin B12 deficiency. Nat Rev Dis Primers. 2017;3:17040. doi:10.1038/nrdp.2017.40
Revisão médica: Dr. Gustavo Aguiar Campana, Diretor Médico e Responsável Técnico da Vinci Lab (CRM/SP 112.181), patologista clínico e especialista em medicina laboratorial. Publicado em maio de 2026; atualizado em outubro de 2026.
Conteúdo informativo. O OMX é um exame complementar e não substitui a avaliação médica; o resultado deve ser interpretado por profissional habilitado, considerando a história clínica.