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Alzheimer

Esquecimento normal ou sinal de alerta? Quando a perda de memória merece investigação

23 Oct 2026 11 min de leitura
Esquecimento normal ou sinal de alerta? Quando a perda de memória merece investigação
Resumo

Esquecer onde deixou as chaves ou o nome de um conhecido e lembrar mais tarde faz parte do funcionamento normal da memória, sobretudo com a idade. O padrão que merece investigação é outro: esquecer com frequência informações recentes, repetir as mesmas perguntas, ter dificuldade nova com tarefas que antes eram automáticas ou perceber que familiares começaram a notar a mudança.

Boa parte das queixas de memória tem causas comuns e tratáveis, como sono ruim, depressão, ansiedade, efeito de medicamentos, deficiência de vitamina B12, hipotireoidismo e perda auditiva. Por isso, a avaliação começa na consulta com o clínico ou o geriatra, com história detalhada, testes cognitivos breves e exames de rotina. Os biomarcadores de Alzheimer entram depois, apenas para quem tem queixa confirmada e está em investigação médica.

Esquecer as coisas com a idade é normal?

Em boa medida, sim. O envelhecimento traz um declínio esperado da velocidade de processamento, das funções executivas, da memória e das habilidades visuoespaciais. Em estudos populacionais, entre 50% e 80% das pessoas com 70 anos ou mais que têm desempenho normal nos testes cognitivos relatam alguma percepção de declínio quando perguntadas.

Essa percepção, com testes normais, recebe o nome de declínio cognitivo subjetivo. Ela se associa a um risco discretamente maior de declínio no futuro, mas a maioria das pessoas com essa queixa não evolui com piora cognitiva progressiva, e o quadro pode inclusive se resolver de forma espontânea.

Jessen F, et al. Lancet Neurol. 2020;19(3):271–278 · DOI

Quais sinais diferenciam o esquecimento comum de um sinal de alerta?

A tabela adapta a lista de dez sinais precoces da Alzheimer's Association, entidade norte-americana dedicada à doença. O critério que atravessa todos eles é o impacto na vida diária: no esquecimento comum, a pessoa recupera a informação ou contorna a falha; no sinal de alerta, a mudança interfere na condução da própria rotina.

Área Mudança típica da idade Sinal que merece avaliação
Memória recente Esquecer um nome ou um compromisso e lembrar mais tarde. Esquecer o que acabou de aprender, repetir as mesmas perguntas, depender cada vez mais de bilhetes ou de familiares para o que antes resolvia sozinho.
Planejamento Errar uma conta da casa de vez em quando. Dificuldade nova para seguir uma receita conhecida ou acompanhar as contas do mês; levar muito mais tempo para fazer as coisas.
Tarefas conhecidas Precisar de ajuda, às vezes, com uma função do micro-ondas ou da televisão. Dificuldade para dirigir até um lugar conhecido, organizar a lista de compras ou lembrar as regras de um jogo favorito.
Tempo e lugar Confundir o dia da semana e se dar conta depois. Perder a noção de datas, das estações do ano e da passagem do tempo.
Linguagem Às vezes não encontrar a palavra certa. Dificuldade para acompanhar ou participar de uma conversa.
Objetos Perder objetos de vez em quando e refazer o caminho para encontrá-los. Guardar objetos em lugares incomuns e não conseguir refazer os passos para achá-los.
Julgamento Tomar uma decisão ruim de vez em quando. Mudança no julgamento, como lidar mal com dinheiro ou descuidar da higiene pessoal.
Humor e convívio Sentir-se, às vezes, sem vontade de cumprir compromissos sociais. Afastar-se de hobbies e atividades sociais; ficar confuso, desconfiado, deprimido ou ansioso, com irritação fácil fora do ambiente habitual.
Alzheimer's Association. 10 Early Signs and Symptoms of Alzheimer's and Dementia · alz.org

Na revisão de Jessen e colaboradores, a queixa merece olhar mais cuidadoso quando envolve principalmente a memória, começou nos últimos cinco anos, surgiu depois dos 60 anos, vem acompanhada de preocupação e é confirmada por alguém próximo. Nenhum desses elementos, isoladamente, indica doença.

Jessen F, et al. Lancet Neurol. 2020;19(3):271–278 · DOI

Quais causas tratáveis podem provocar esquecimento?

Antes de considerar uma doença neurodegenerativa, a investigação procura condições comuns que afetam a memória e que, em geral, têm tratamento. Depressão, ansiedade e distúrbios do sono estão entre as condições mais frequentemente associadas à queixa cognitiva, ao lado de doenças da tireoide, deficiências nutricionais, consumo excessivo de álcool e efeito de medicamentos.

Sono

Durante o sono, as informações recentes são reativadas e integradas à memória de longo prazo. Noites curtas, insônia e apneia do sono prejudicam esse processo.

Depressão e ansiedade

Reduzem a atenção e a concentração, mas podem coexistir com um quadro neurológico.

Medicamentos

Sedativos, anticolinérgicos, opioides e corticoides estão entre os que podem afetar a cognição.

Vitamina B12

A deficiência é comum em pessoas mais velhas, pode causar sintomas neuropsiquiátricos, e o tratamento pode melhorar os sintomas.

Tireoide

O hipotireoidismo é frequente com a idade e é identificado pela dosagem de TSH.

Audição

A perda auditiva dificulta acompanhar conversas, o que pode ser confundido com esquecimento, e está entre os fatores de risco modificáveis para demência.

Jessen F, et al. Lancet Neurol. 2020;19(3):271–278 · DOI | Rasch B, Born J. Physiol Rev. 2013;93(2):681–766 · DOI | Atri A, et al. Alzheimers Dement. 2025;21(6):e14333 · DOI | Livingston G, et al. Lancet. 2024;404(10452):572–628 · DOI

Quando procurar avaliação, e com quem?

A diretriz da Alzheimer's Association para a avaliação diagnóstica de quadros cognitivos (DETeCD-ADRD) recomenda que seja avaliado todo adulto de meia-idade ou idoso que relate, ou cujo familiar relate, preocupação com mudanças na cognição, no comportamento ou na funcionalidade. Na prática, procure avaliação quando o esquecimento for frequente, piorar ao longo dos meses, atrapalhar tarefas automáticas ou for notado por pessoas próximas. Falhas ocasionais, sem mudança na rotina, podem ser comentadas na próxima consulta.

Atri A, et al. Alzheimers Dement. 2025;21(6):e14333 · DOI

O primeiro passo pode ser o clínico geral ou o médico de família, que conhece a história e os medicamentos do paciente; para pessoas mais velhas, o geriatra é uma boa porta de entrada. O neurologista entra quando a avaliação inicial mostra alteração cognitiva ou quando o quadro é atípico: início antes dos 65 anos, progressão rápida ou outras alterações neurológicas.

Uma confusão que se instala em horas ou poucos dias é outra situação: pode corresponder a delirium, muitas vezes desencadeado por infecção, desidratação ou medicamentos, e pede atendimento médico imediato.

O que acontece na consulta de avaliação da memória?

A consulta começa pela história, de preferência com a participação de alguém que conviva com o paciente. O médico procura entender quais funções mudaram, desde quando, em que ritmo e com que impacto nas atividades do dia a dia, e revisa humor, sono, audição, visão, consumo de álcool e a lista completa de medicamentos.

Em seguida vêm os testes cognitivos breves, aplicados no próprio consultório, como o Miniexame do Estado Mental e a Avaliação Cognitiva de Montreal (MoCA). Eles ajudam a identificar alteração objetiva, mas não fecham diagnóstico. Quando a dúvida persiste, a avaliação neuropsicológica completa, com normas ajustadas por idade, sexo e escolaridade, é mais precisa.

Nasreddine ZS, et al. J Am Geriatr Soc. 2005;53(4):695–699 · DOI | Jessen F, et al. Lancet Neurol. 2020;19(3):271–278 · DOI

A diretriz DETeCD-ADRD recomenda um painel laboratorial básico para quase todos os pacientes avaliados: hemograma, painel metabólico com função renal e hepática, eletrólitos, glicose e cálcio, TSH, vitamina B12, homocisteína, proteína C-reativa e velocidade de hemossedimentação. Também recomenda um exame de imagem estrutural do crânio, tomografia ou ressonância magnética.

Atri A, et al. Alzheimers Dement. 2025;21(6):e14333 · DOI

Ao fim dessa etapa, o médico consegue classificar a queixa em declínio cognitivo subjetivo (sem alteração objetiva), comprometimento cognitivo leve (alteração nos testes com autonomia preservada) ou demência (perda que interfere na independência). Explicamos o segundo cenário em detalhe no artigo sobre comprometimento cognitivo leve e quando investigar.

Onde entram os biomarcadores de Alzheimer?

Os biomarcadores entram depois da avaliação clínica, para quem tem queixa de memória ou perda cognitiva, em avaliação médica. Eles respondem a uma pergunta específica: se estão presentes as alterações cerebrais típicas da doença, o acúmulo de beta-amiloide e de proteína tau.

A diretriz de 2025 da Alzheimer's Association sobre biomarcadores sanguíneos tem como escopo pacientes com comprometimento cognitivo objetivo em avaliação especializada. Segundo o documento, testes com sensibilidade de pelo menos 90% e especificidade de pelo menos 75% podem ser usados como triagem, e testes com sensibilidade e especificidade de pelo menos 90% podem substituir o PET amiloide ou a análise do líquor. A mesma diretriz ressalta que esses exames não substituem a avaliação clínica completa.

Palmqvist S, et al. Alzheimers Dement. 2025;21(7):e70535 · DOI

Sangue, PET e líquor medem as mesmas alterações por caminhos diferentes; comparamos os três métodos em exame de sangue, PET amiloide ou líquor. As proteínas dosadas no sangue estão descritas no artigo sobre biomarcadores do exame de sangue para Alzheimer.

Na Vinci, o exame de sangue para Alzheimer Memora Essencial avalia a razão Aβ42/Aβ40 e a pTau217 no plasma, por quimioluminescência, com kits aprovados pela ANVISA. Na plataforma de quimioluminescência utilizada, a combinação de pTau217 e beta-amiloide alcançou 93% de acurácia em relação ao PET amiloide (sensibilidade 93%, especificidade 92%). Trata-se de um exame de apoio, que não diagnostica isoladamente, e o resultado é interpretado na consulta médica inclusa.

Doecke JD, et al. Alzheimers Dement. 2025;21(9):e70707 · DOI

Não se trata de exame de rastreamento. Indicamos o Memora para quem já tem queixa de memória ou perda cognitiva, em avaliação médica. Para quem esquece um nome de vez em quando e não percebe outra mudança, a conduta adequada é a consulta de rotina.

Para quem já tem queixa

Memora Essencial

Biomarcadores: Aβ42/Aβ40 + pTau217
Indicação: queixa de memória ou perda cognitiva, em avaliação médica
Coleta: sangue, na unidade Vinci em Higienópolis ou por coleta residencial em São Paulo, feita por profissional habilitado; sem jejum
Prazo: até 15 dias úteis após a coleta
Consulta médica: inclusa

Ver exame →

Perguntas frequentes

Esquecer nomes é sinal de Alzheimer?

Na maioria das vezes, não. Esquecer um nome e lembrar mais tarde é uma mudança típica da idade. Chamam atenção o esquecimento frequente de informações recentes, a repetição das mesmas perguntas e a dificuldade nova com tarefas do dia a dia.

Com que idade o esquecimento preocupa?

Não há uma idade de corte. Depois dos 60 anos, a queixa de memória tem maior probabilidade de estar ligada a uma doença neurodegenerativa; antes disso, causas como depressão, ansiedade, sono ruim e medicamentos são mais prováveis. Em qualquer idade, o esquecimento que piora ao longo dos meses ou atrapalha a rotina merece avaliação médica.

Ansiedade e estresse causam perda de memória?

Podem causar. Ansiedade, depressão e estresse prolongado reduzem a atenção, e a informação mal registrada é depois lembrada com dificuldade. O próprio medo de ter demência pode aumentar a percepção de falhas comuns. Como esses quadros também podem coexistir com uma doença neurológica, cabe à avaliação médica separar uma situação da outra.

Quais exames ajudam a investigar perda de memória?

Testes cognitivos breves, exames de sangue de rotina (incluindo TSH e vitamina B12) e tomografia ou ressonância do crânio. Os biomarcadores de Alzheimer, no sangue, no líquor ou no PET, entram depois, para quem tem queixa de memória ou perda cognitiva, em avaliação médica.

Quando procurar um neurologista?

Quando a avaliação inicial com o clínico ou o geriatra mostra alteração nos testes cognitivos, ou quando os sintomas começam antes dos 65 anos, progridem rapidamente ou vêm acompanhados de outras alterações neurológicas, como tremor, dificuldade para andar ou mudança marcante de comportamento. Uma confusão que se instala em horas ou dias pede atendimento médico imediato.

Existe exame para saber se vou ter Alzheimer?

Não existe exame que preveja, em uma pessoa sem sintomas, se ela terá ou não a doença. Os biomarcadores sanguíneos foram validados para a investigação de quem já tem comprometimento cognitivo e não são indicados para quem não tem queixa. A genotipagem do gene APOE informa risco, não diagnóstico, e deve ser discutida com o médico.

Memora Essencial na Vinci

Para quem já tem queixa de memória e está em avaliação médica, com consulta inclusa para interpretar o resultado.

Referências científicas

Referências compiladas e verificadas no PubMed e na fonte original.

  1. Jessen F, et al. The characterisation of subjective cognitive decline. Lancet Neurol. 2020;19(3):271–278. doi.org/10.1016/S1474-4422(19)30368-0
  2. Alzheimer's Association. 10 Early Signs and Symptoms of Alzheimer's and Dementia. alz.org/alzheimers-dementia/10_signs (acesso em outubro de 2026).
  3. Rasch B, Born J. About sleep's role in memory. Physiol Rev. 2013;93(2):681–766. doi.org/10.1152/physrev.00032.2012
  4. Atri A, et al. Alzheimer's Association clinical practice guideline for the Diagnostic Evaluation, Testing, Counseling, and Disclosure of Suspected Alzheimer's Disease and Related Disorders (DETeCD-ADRD): Executive summary of recommendations for primary care. Alzheimers Dement. 2025;21(6):e14333. doi.org/10.1002/alz.14333
  5. Livingston G, et al. Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission. Lancet. 2024;404(10452):572–628. doi.org/10.1016/S0140-6736(24)01296-0
  6. Nasreddine ZS, et al. The Montreal Cognitive Assessment, MoCA: a brief screening tool for mild cognitive impairment. J Am Geriatr Soc. 2005;53(4):695–699. doi.org/10.1111/j.1532-5415.2005.53221.x
  7. Palmqvist S, et al. Alzheimer's Association Clinical Practice Guideline on the use of blood-based biomarkers in the diagnostic workup of suspected Alzheimer's disease within specialized care settings. Alzheimers Dement. 2025;21(7):e70535. doi.org/10.1002/alz.70535
  8. Doecke JD, et al. Combining Lumipulse p-tau217 and Aβ42/40 as confirmatory tests for Aβ positivity prior to disease-modifying therapy. Alzheimers Dement. 2025;21(9):e70707. doi.org/10.1002/alz.70707
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