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Alzheimer

Exame de sangue para Alzheimer: biomarcadores Aβ42/40, pTau217 e NfL

10 Jun 2026 7 min de leitura
Exame de sangue para Alzheimer: biomarcadores Aβ42/40, pTau217 e NfL
Resposta rápida

O exame de sangue para Alzheimer mede, no plasma, proteínas associadas às alterações cerebrais da doença — muitas vezes antes de os sintomas se consolidarem. Os três biomarcadores mais estudados são a razão beta-amiloide 42/40 (Aβ42/Aβ40), a proteína Tau 217 fosforilada (pTau217) e o Neurofilamento de Cadeia Leve (NfL).

Estudos publicados em JAMA, Nature Medicine e Lancet Neurology mostram que esses marcadores têm alta correlação com o PET amiloide e o líquor — os métodos de referência para investigar o Alzheimer. Na Vinci, eles são avaliados pela linha Memora (perfis Essencial e Ampliado), por quimioluminescência e com kits aprovados pela ANVISA. É um exame de apoio ao diagnóstico — não substitui a avaliação médica.

O que é um exame de sangue para Alzheimer?

É um exame laboratorial que dosa, em uma amostra de sangue, biomarcadores ligados à fisiopatologia da Doença de Alzheimer (DA). A DA é uma condição neurodegenerativa progressiva associada ao acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro e à formação de emaranhados neurofibrilares da proteína Tau — alterações que começam a se instalar anos antes dos primeiros sintomas perceptíveis.

Até pouco tempo, investigar essas alterações exigia métodos caros ou invasivos: a tomografia por emissão de pósitrons (PET) para amiloide ou a punção lombar para análise do líquor. A medição desses mesmos marcadores no plasma surgiu como alternativa minimamente invasiva e acessível. Revisões científicas recentes descrevem os biomarcadores sanguíneos como uma mudança potencialmente transformadora na investigação do Alzheimer em escala global.

Hansson O. Nat Med. 2021;27(6):954–963 · DOI  |  Teunissen CE, et al. Lancet Neurol. 2022;21(1):66–77 · DOI

Quais biomarcadores o exame avalia?

Os exames da linha Memora avaliam até três biomarcadores complementares:

Razão Aβ42/Aβ40

Reflete a presença de depósitos de beta-amiloide no cérebro. A razão reduz a variabilidade individual e melhora a correlação com o PET amiloide.

pTau217

Proteína Tau 217 fosforilada. Sua elevação está fortemente associada às alterações neuropatológicas do Alzheimer.

NfL

Neurofilamento de Cadeia Leve. Marcador pan-neurodegenerativo de dano aos neurônios — presente apenas no perfil Ampliado.

Razão beta-amiloide 42/40 (Aβ42/Aβ40)

A beta-amiloide 42 reflete tanto a produção cerebral quanto a periférica, com alta variabilidade entre indivíduos quando medida isoladamente. A beta-amiloide 40 funciona como marcador da produção total. Por isso, usa-se a razão entre as duas: ela reduz a variabilidade pré-analítica e melhora a correlação com a presença de depósitos amiloides no cérebro. Em estudo publicado na Neurology, a razão plasmática Aβ42/Aβ40 apresentou correspondência elevada com o PET amiloide (AUC 0,88), chegando a AUC 0,94 quando combinada à idade e ao status do gene ApoE.

Schindler SE, et al. Neurology. 2019;93(17):e1647–e1659 · DOI

Proteína Tau 217 fosforilada (pTau217)

Em estudo no JAMA, a pTau217 plasmática distinguiu a DA de outras doenças neurodegenerativas com acurácia elevada (AUC 0,96) e diferenciou exames de tau-PET normais de alterados (AUC 0,93), com desempenho estatisticamente comparável a marcadores do líquor e do próprio PET. No mesmo estudo, os níveis começaram a se elevar em portadores de mutação para Alzheimer genético cerca de 20 anos antes do início estimado dos sintomas.

Palmqvist S, et al. JAMA. 2020;324(8):772–781 · DOI

Neurofilamento de Cadeia Leve (NfL)

O NfL é um biomarcador pan-neurodegenerativo: reflete dano aos neurônios (lesão axonal) independentemente da causa específica. Um estudo multicêntrico na Nature Communications mostrou que o NfL plasmático está elevado em diversos distúrbios neurodegenerativos e é especialmente útil para indicar a ausência de neurodegeneração, com baixa taxa de falsos-positivos — auxiliando, por exemplo, a diferenciar demências de condições potencialmente reversíveis, como depressão. Por isso, ele é o marcador que diferencia o perfil Ampliado do Essencial.

Ashton NJ, et al. Nat Commun. 2021;12(1):3400 · DOI

O exame de sangue substitui o PET ou o líquor?

Não. O exame de sangue é uma ferramenta de apoio à investigação. Os biomarcadores plasmáticos apresentam alta concordância com o PET amiloide e o líquor, mas o diagnóstico de Alzheimer é clínico e deve ser feito por um médico, integrando histórico, avaliação cognitiva, exames de imagem e, quando necessário, outros testes. Nenhum biomarcador isolado confirma ou exclui a doença sozinho.

Qual a diferença entre Memora Essencial e Ampliado?

Perfil Biomarcadores Foco
Memora Essencial Razão Aβ42/Aβ40 + pTau217 Apoio ao diagnóstico de Alzheimer; avaliação de comprometimento cognitivo leve (CCL); triagem pré-terapêutica para medicamentos anti-amiloide.
Memora Ampliado Razão Aβ42/Aβ40 + pTau217 + NfL Tudo do Essencial, mais avaliação da progressão da doença, diferenciação entre demências, contexto de traumatismo cranioencefálico e monitoramento de resposta terapêutica.

Para quem o exame é indicado?

O exame é indicado, sob orientação médica, principalmente para:

  • Apoio à investigação de Alzheimer em pessoas com sinais ou sintomas de comprometimento cognitivo;
  • Avaliação de comprometimento cognitivo leve (CCL);
  • Triagem antes de terapias anti-amiloide, que exigem confirmação de patologia amiloide;
  • Avaliação de progressão e diferenciação entre tipos de demência (perfil Ampliado);
  • Rastreamento em populações de risco, dentro de um contexto clínico.

A interpretação é sempre individual. Pesquisas mostram que combinar biomarcadores plasmáticos com testes cognitivos breves melhora significativamente a previsão de evolução para demência por Alzheimer — superando, inclusive, a acurácia da avaliação clínica isolada de especialistas (AUC 0,91 vs 0,71 em um dos estudos).

Palmqvist S, et al. Nat Med. 2021;27(6):1034–1042 · DOI

Por que isso importa agora?

O tema ganhou urgência clínica com a chegada de terapias modificadoras da doença (anticorpos anti-amiloide). Ensaios clínicos de fase 3 publicados no New England Journal of Medicine e no JAMA demonstraram que esses tratamentos reduzem a carga amiloide e retardam moderadamente o declínio cognitivo em fases iniciais da DA. Em ambos, o início do tratamento depende da confirmação prévia de patologia amiloide — exatamente o ponto em que os biomarcadores de sangue ajudam, ao apoiar a triagem antes de exames mais complexos.

van Dyck CH, et al. N Engl J Med. 2023;388(1):9–21 · DOI  |  Sims JR, et al. JAMA. 2023;330(6):512–527 · DOI

Como o exame é feito na Vinci?

Os exames Memora são realizados por quimioluminescência, com kits aprovados pela ANVISA e análise nacional. A linha reporta correlação de 93% com o PET de amiloide.

  • Amostra: sangue venoso (plasma), com jejum de 8 horas;
  • Coleta: presencial, na unidade Vinci em Higienópolis (São Paulo);
  • Prazo: resultado em até 15 dias úteis;
  • Sem necessidade de pedido médico: a solicitação é viabilizada pela direção técnica da Vinci;
  • Consulta médica inclusa: para interpretação do resultado no contexto clínico do paciente.
Essencial

Memora Essencial

Biomarcadores: Aβ42/Aβ40 + pTau217
Coleta: presencial (São Paulo)
Prazo: 15 dias úteis
Consulta médica: inclusa

Ver exame →
Ampliado

Memora Ampliado

Biomarcadores: Aβ42/Aβ40 + pTau217 + NfL
Coleta: presencial (São Paulo)
Prazo: 15 dias úteis
Consulta médica: inclusa

Ver exame →

Perguntas frequentes

O exame de sangue diagnostica Alzheimer?

Não isoladamente. Ele avalia biomarcadores associados ao Alzheimer e oferece apoio objetivo à investigação. O diagnóstico é clínico e cabe ao médico, considerando histórico, sintomas e outras ferramentas.

Quais são os biomarcadores avaliados?

A razão beta-amiloide 42/40 (Aβ42/Aβ40) e a proteína Tau 217 fosforilada (pTau217) no perfil Essencial; e também o Neurofilamento de Cadeia Leve (NfL) no perfil Ampliado.

Esses biomarcadores têm respaldo científico?

Sim. Aβ42/Aβ40, pTau217 e NfL estão entre os biomarcadores plasmáticos mais estudados para Alzheimer e neurodegeneração, com resultados publicados em revistas como JAMA, Nature Medicine, Lancet Neurology e Nature Communications. As referências estão listadas ao final deste artigo.

Preciso de pedido médico para fazer o exame?

Não. A solicitação é viabilizada pela direção técnica da Vinci, e a interpretação é feita na consulta médica inclusa.

Como é feita a coleta?

É uma coleta de sangue venoso, com jejum de 8 horas, realizada na unidade Vinci em Higienópolis (São Paulo). O exame não está disponível em autocoleta, pois a amostra precisa ser processada e congelada.

Em quanto tempo recebo o resultado?

Em até 15 dias úteis após a coleta, disponibilizado de forma digital e segura.

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Referências científicas

Referências compiladas e verificadas no PubMed.

  1. Hansson O. Biomarkers for neurodegenerative diseases. Nat Med. 2021;27(6):954–963. doi.org/10.1038/s41591-021-01382-x
  2. Teunissen CE, et al. Blood-based biomarkers for Alzheimer's disease: towards clinical implementation. Lancet Neurol. 2022;21(1):66–77. doi.org/10.1016/S1474-4422(21)00361-6
  3. Schindler SE, et al. High-precision plasma β-amyloid 42/40 predicts current and future brain amyloidosis. Neurology. 2019;93(17):e1647–e1659. doi.org/10.1212/WNL.0000000000008081
  4. Palmqvist S, et al. Discriminative Accuracy of Plasma Phospho-tau217 for Alzheimer Disease vs Other Neurodegenerative Disorders. JAMA. 2020;324(8):772–781. doi.org/10.1001/jama.2020.12134
  5. Ashton NJ, et al. A multicentre validation study of the diagnostic value of plasma neurofilament light. Nat Commun. 2021;12(1):3400. doi.org/10.1038/s41467-021-23620-z
  6. Palmqvist S, et al. Prediction of future Alzheimer's disease dementia using plasma phospho-tau combined with other accessible measures. Nat Med. 2021;27(6):1034–1042. doi.org/10.1038/s41591-021-01348-z
  7. van Dyck CH, et al. Lecanemab in Early Alzheimer's Disease. N Engl J Med. 2023;388(1):9–21. doi.org/10.1056/NEJMoa2212948
  8. Sims JR, et al. Donanemab in Early Symptomatic Alzheimer Disease (TRAILBLAZER-ALZ 2). JAMA. 2023;330(6):512–527. doi.org/10.1001/jama.2023.13239
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