Ir para o conteúdo
Blog › Exame de sangue, PET amiloide ou líqu...
Alzheimer

Exame de sangue, PET amiloide ou líquor: como o Alzheimer é investigado hoje

23 Oct 2026 11 min de leitura
Exame de sangue, PET amiloide ou líquor: como o Alzheimer é investigado hoje
Resumo

Nenhum exame, isoladamente, faz o diagnóstico de Doença de Alzheimer. O diagnóstico é clínico, e os biomarcadores mostram se as alterações biológicas da doença estão presentes. Hoje há três formas de avaliá-las: o PET amiloide, exame de imagem que mostra as placas de beta-amiloide (complementado, em alguns casos, pelo tau-PET); o líquor, colhido por punção lombar, no qual se dosam Aβ42, razão Aβ42/40, p-tau e t-tau; e o exame de sangue, que mede a razão Aβ42/40, a pTau217 e, em alguns perfis, o NfL.

A diretriz da Alzheimer's Association publicada em julho de 2025 estabelece que testes de sangue com sensibilidade de pelo menos 90% e especificidade de pelo menos 75% podem ser usados como triagem, e que testes com sensibilidade e especificidade de pelo menos 90% podem substituir o PET ou o líquor na confirmação. As duas recomendações valem para pacientes com comprometimento cognitivo atendidos em serviço especializado. Esses exames não são indicados para pessoas sem sintomas.

Qual exame detecta Alzheimer?

O diagnóstico da Doença de Alzheimer é feito pelo médico, com base na história clínica, no exame neurológico e nos testes cognitivos. Os biomarcadores respondem a uma pergunta mais específica: se há, no cérebro, acúmulo de beta-amiloide e de proteína tau anormal, as duas alterações que caracterizam a doença.

Os critérios revisados em 2024 por um grupo de trabalho da Alzheimer's Association classificam como "Core 1" o PET amiloide, os biomarcadores aprovados no líquor e os biomarcadores plasmáticos acurados, com destaque para a pTau217. O tau-PET está entre os "Core 2", que se alteram mais tarde e trazem informação prognóstica. Os autores ressaltam que esses critérios não pretendem ser um guia passo a passo de conduta clínica.

Jack CR Jr, et al. Alzheimers Dement. 2024;20(8):5143–5169 · DOI

Em vídeo: o que mudou no diagnóstico das demências.

O que é PET amiloide e o que é tau-PET?

O PET amiloide é um exame de medicina nuclear. O paciente recebe, por via venosa, um radiotraçador que se liga às placas de beta-amiloide, e as imagens do tomógrafo mostram se essas placas estão presentes. O tau-PET usa outro radiotraçador, que se liga aos emaranhados de proteína tau e mostra sua distribuição no cérebro.

Em estudo com 719 participantes de três centros de memória, publicado no JAMA, o tau-PET distinguiu a demência por Alzheimer de outras doenças neurodegenerativas com sensibilidade de 89,9% e especificidade de 90,6%. No comprometimento cognitivo leve, o desempenho foi menor, com AUC entre 0,75 e 0,84.

Ossenkoppele R, et al. JAMA. 2018;320(11):1151–1162 · DOI

O PET envolve radiação ionizante e depende de centros de medicina nuclear com o radiotraçador específico, o que limita a disponibilidade. Os critérios de uso apropriado atualizados em 2025 pela Alzheimer's Association e pela Society of Nuclear Medicine and Molecular Imaging analisaram 17 cenários clínicos e consideraram o PET amiloide apropriado em 7 deles e o tau-PET em 5.

Rabinovici GD, et al. Alzheimers Dement. 2025;21(1):e14338 · DOI

O preço do PET amiloide varia conforme o serviço e o radiotraçador, por isso não o informamos aqui.

O que o exame de líquor mostra e quando a punção lombar é indicada?

O líquor (líquido cefalorraquidiano) é obtido por punção lombar, com uma agulha fina introduzida na região lombar sob anestesia local. No Alzheimer, o padrão esperado é a redução da Aβ42 e da razão Aβ42/40, porque o peptídeo fica retido nas placas, acompanhada do aumento de p-tau e t-tau.

Nas coortes BioFINDER e ADNI, as razões t-tau/Aβ42 e p-tau/Aβ42 no líquor tiveram concordância de 89% a 90% com a classificação pelo PET amiloide.

Hansson O, et al. Alzheimers Dement. 2018;14(11):1470–1481 · DOI

A punção lombar é um procedimento invasivo, mas bem tolerado em centros de memória. Em estudo com 3.868 pacientes de 23 serviços, 31% relataram algum sintoma após o procedimento e 9% tiveram a cefaleia típica pós-punção; apenas 0,7% precisaram de internação. Os autores consideraram o risco global de complicações relativamente baixo.

Duits FH, et al. Alzheimers Dement. 2016;12(2):154–163 · DOI

O que o exame de sangue para Alzheimer mede?

O exame de sangue para Alzheimer dosa no plasma proteínas que refletem as mesmas alterações avaliadas pelo PET e pelo líquor. A razão Aβ42/Aβ40 indica a presença de placas de beta-amiloide, e a pTau217 (proteína tau fosforilada na posição 217) está fortemente associada à patologia do Alzheimer. O NfL, neurofilamento de cadeia leve, é um marcador de dano neuronal que não é específico da doença e se eleva em diversos quadros neurodegenerativos.

Ashton NJ, et al. Nat Commun. 2021;12(1):3400 · DOI

Em estudo prospectivo sueco com 1.213 pacientes avaliados por queixas cognitivas, um teste de sangue baseado em pTau217 teve acurácia diagnóstica entre 88% e 92% na atenção primária e na secundária. No mesmo estudo, a acurácia dos especialistas em demência apenas com a avaliação clínica foi de 73%, contra 91% com o teste.

Palmqvist S, et al. JAMA. 2024;332(15):1245–1257 · DOI

O desempenho, porém, depende do teste e da plataforma analítica. Uma revisão sistemática de 49 estudos e 31 testes encontrou sensibilidade entre 49,3% e 91,4% e especificidade entre 61,5% e 96,7%. Por isso, ao interpretar um resultado, consideramos sempre qual teste foi utilizado.

Pahlke S, et al. Alzheimers Dement. 2025;21(11):e70828 · DOI

Cada biomarcador está descrito em mais detalhe no artigo Exame de sangue para Alzheimer: Aβ42/40, pTau217 e NfL.

PET, líquor ou sangue: qual a diferença?

Método O que mede Como é feito Invasividade Para quem Limitações
PET amiloide Placas de beta-amiloide no cérebro Injeção de radiotraçador e imagem em tomógrafo PET Acesso venoso; exposição a radiação ionizante Pacientes com comprometimento cognitivo, nos cenários de uso apropriado Disponibilidade restrita a centros de medicina nuclear
Tau-PET Emaranhados de proteína tau e sua distribuição Injeção de radiotraçador e imagem em tomógrafo PET Acesso venoso; exposição a radiação ionizante Casos selecionados, para diagnóstico diferencial e informação prognóstica Disponibilidade ainda menor; desempenho inferior no comprometimento cognitivo leve
Líquor Aβ42, razão Aβ42/40, p-tau e t-tau Punção lombar sob anestesia local Procedimento invasivo Pacientes com comprometimento cognitivo em avaliação especializada Sintomas após a punção, como cefaleia, em parte dos pacientes
Exame de sangue Razão Aβ42/40, pTau217 e NfL Coleta de sangue venoso Coleta de sangue comum Pacientes com comprometimento cognitivo em atenção especializada Desempenho variável entre testes; parte dos resultados fica na zona intermediária

O que diz a diretriz da Alzheimer's Association de 2025?

Em julho de 2025, a Alzheimer's Association publicou uma diretriz de prática clínica sobre biomarcadores sanguíneos, elaborada a partir de revisão sistemática e da metodologia GRADE. As recomendações valem para pacientes com comprometimento cognitivo objetivo, avaliados por profissionais com experiência em distúrbios de memória. Testes com sensibilidade de pelo menos 90% e especificidade de pelo menos 75% podem ser usados como triagem. Testes com sensibilidade e especificidade de pelo menos 90% podem substituir o PET amiloide ou o líquor como exame confirmatório.

A diretriz alerta que muitos testes disponíveis não atingem esses limiares e que a probabilidade pré-teste deve ser considerada.

Palmqvist S, et al. Alzheimers Dement. 2025;21(7):e70535 · DOI

Na prática, entendemos a triagem da seguinte forma: um resultado negativo torna o Alzheimer pouco provável como causa dos sintomas, e um resultado positivo precisa ser confirmado.

Por que esses exames não são para quem não tem sintomas?

A diretriz de 2025 foi elaborada para pessoas com comprometimento cognitivo. Quanto menor a probabilidade de doença no grupo testado, menor o valor preditivo positivo, ou seja, maior a proporção de resultados positivos que não se confirmam. Os critérios de 2024 lembram ainda que outras doenças associadas, a reserva cognitiva e a resistência individual modificam a relação entre os biomarcadores e os sintomas.

Palmqvist S, et al. Alzheimers Dement. 2025;21(7):e70535 · DOI | Jack CR Jr, et al. Alzheimers Dement. 2024;20(8):5143–5169 · DOI

Por esse motivo, não indicamos o exame a quem não tem queixa cognitiva. Para quem tem histórico familiar e deseja discutir o próprio risco, o caminho adequado é a consulta médica. O papel da genética está explicado nos artigos sobre APOE e4 e risco de Alzheimer e sobre Alzheimer precoce e genética.

Quando cada exame é usado na prática?

Na nossa prática, a investigação começa pela avaliação clínica e pelos testes cognitivos, etapa descrita no artigo sobre comprometimento cognitivo leve. Quando há comprometimento cognitivo e suspeita de Alzheimer, o exame de sangue pode ser usado como triagem ou como confirmação, conforme o desempenho do teste. Reservamos o PET e o líquor para os casos em que o resultado de sangue fica na zona intermediária, o quadro é atípico ou é preciso um método de referência antes da decisão sobre terapias anti-amiloide.

A zona intermediária é esperada. Em um dos estudos da plataforma que utilizamos, com dois pontos de corte fixados para sensibilidade e especificidade de 95%, 10% a 15% dos participantes ficaram nessa faixa.

Doecke JD, et al. Alzheimers Dement. 2025;21(9):e70707 · DOI

Como é o exame de sangue na Vinci?

Na Vinci, os exames Memora medem a razão Aβ42/Aβ40 e a pTau217, além do NfL no perfil Ampliado, por quimioluminescência, com kits aprovados pela ANVISA e processamento no Brasil. Na plataforma de quimioluminescência utilizada, a combinação de pTau217 e beta-amiloide alcançou 93% de acurácia em relação ao PET amiloide (sensibilidade 93%, especificidade 92%).

Doecke JD, et al. Alzheimers Dement. 2025;21(9):e70707 · DOI

Indicamos o exame para pessoas com queixa de memória ou perda cognitiva, em avaliação médica, e não para rastreamento. O resultado é interpretado na consulta médica incluída no exame.

  • Coleta: sangue venoso, sem jejum, na unidade Vinci em Higienópolis (São Paulo), de segunda a sexta, das 8h às 17h, ou em coleta residencial em São Paulo. Não há autocoleta.
  • Pedido médico: não é necessário, porque a solicitação é emitida pela direção técnica da Vinci.
  • Resultado: Memora em até 15 dias úteis após a coleta.
Mais indicado

Memora Essencial

Biomarcadores: Aβ42/Aβ40 + pTau217
Coleta: unidade ou residencial (São Paulo)
Prazo: até 15 dias úteis após a coleta
Consulta médica: inclusa

Ver exame →
Ampliado

Memora Ampliado

Biomarcadores: Aβ42/Aβ40 + pTau217 + NfL
Coleta: unidade ou residencial (São Paulo)
Prazo: até 15 dias úteis após a coleta
Consulta médica: inclusa

Ver exame →
Avulso

p-Tau217

Biomarcador: pTau217 no sangue
Coleta: unidade ou residencial (São Paulo)
Consulta médica: inclusa

Ver exame →

Perguntas frequentes

Qual exame detecta Alzheimer?

Nenhum exame, isoladamente. O diagnóstico é clínico e feito pelo médico. PET amiloide, líquor e exame de sangue (razão Aβ42/40 e pTau217) indicam se as alterações biológicas da doença estão presentes e apoiam esse diagnóstico.

O exame de sangue substitui o PET?

Depende do teste. Pela diretriz da Alzheimer's Association de 2025, testes com sensibilidade e especificidade de pelo menos 90% podem substituir o PET ou o líquor na confirmação, em pacientes com comprometimento cognitivo atendidos em serviço especializado. Testes com desempenho menor servem como triagem, e resultados na zona intermediária costumam exigir PET ou líquor.

O que é PET amiloide?

É um exame de medicina nuclear em que um radiotraçador, injetado na veia, se liga às placas de beta-amiloide e permite visualizá-las em imagem. É um dos métodos de referência para confirmar a patologia do Alzheimer.

Quando é indicada a punção lombar?

Quando o neurologista precisa confirmar a patologia do Alzheimer pelo líquor, no qual se dosam Aβ42, razão Aβ42/40, p-tau e t-tau. Na prática, isso ocorre em quadros atípicos, quando o exame de sangue fica na zona intermediária ou antes de considerar terapias anti-amiloide.

O exame de sangue para Alzheimer é confiável?

O desempenho varia entre plataformas. Nos exames Memora, na plataforma de quimioluminescência utilizada, a combinação de pTau217 e beta-amiloide alcançou 93% de acurácia em relação ao PET amiloide (sensibilidade 93%, especificidade 92%) (Doecke et al., 2025).

Quem não tem sintomas pode fazer?

Não indicamos. Esses exames foram validados em pessoas com queixa de memória ou comprometimento cognitivo em avaliação médica. Em pessoas sem sintomas, o valor preditivo de um resultado positivo é menor, e um biomarcador alterado não permite prever com segurança se haverá sintomas.

Exames Memora na Vinci

Para quem tem queixa de memória e está em avaliação médica, com consulta para interpretação do resultado.

Referências científicas

Referências compiladas e verificadas no PubMed.

  1. Jack CR Jr, et al. Revised criteria for diagnosis and staging of Alzheimer's disease: Alzheimer's Association Workgroup. Alzheimers Dement. 2024;20(8):5143–5169. doi.org/10.1002/alz.13859
  2. Palmqvist S, et al. Alzheimer's Association Clinical Practice Guideline on the use of blood-based biomarkers in the diagnostic workup of suspected Alzheimer's disease within specialized care settings. Alzheimers Dement. 2025;21(7):e70535. doi.org/10.1002/alz.70535
  3. Ossenkoppele R, et al. Discriminative Accuracy of [18F]flortaucipir Positron Emission Tomography for Alzheimer Disease vs Other Neurodegenerative Disorders. JAMA. 2018;320(11):1151–1162. doi.org/10.1001/jama.2018.12917
  4. Rabinovici GD, et al. Updated appropriate use criteria for amyloid and tau PET: A report from the Alzheimer's Association and Society for Nuclear Medicine and Molecular Imaging Workgroup. Alzheimers Dement. 2025;21(1):e14338. doi.org/10.1002/alz.14338
  5. Hansson O, et al. CSF biomarkers of Alzheimer's disease concord with amyloid-β PET and predict clinical progression: A study of fully automated immunoassays in BioFINDER and ADNI cohorts. Alzheimers Dement. 2018;14(11):1470–1481. doi.org/10.1016/j.jalz.2018.01.010
  6. Duits FH, et al. Performance and complications of lumbar puncture in memory clinics: Results of the multicenter lumbar puncture feasibility study. Alzheimers Dement. 2016;12(2):154–163. doi.org/10.1016/j.jalz.2015.08.003
  7. Ashton NJ, et al. A multicentre validation study of the diagnostic value of plasma neurofilament light. Nat Commun. 2021;12(1):3400. doi.org/10.1038/s41467-021-23620-z
  8. Palmqvist S, et al. Blood Biomarkers to Detect Alzheimer Disease in Primary Care and Secondary Care. JAMA. 2024;332(15):1245–1257. doi.org/10.1001/jama.2024.13855
  9. Pahlke S, et al. Blood-based biomarkers for detecting Alzheimer's disease pathology in cognitively impaired individuals within specialized care settings: A systematic review and meta-analysis. Alzheimers Dement. 2025;21(11):e70828. doi.org/10.1002/alz.70828
  10. Doecke JD, et al. Combining Lumipulse p-tau217 and Aβ42/40 as confirmatory tests for Aβ positivity prior to disease-modifying therapy. Alzheimers Dement. 2025;21(9):e70707. doi.org/10.1002/alz.70707
WhatsApp

Entenda sua saúde com mais precisão

Comece agora. Busque seu exame ou fale com a gente.

Fale com a Vinci
ESC para fechar