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FIT (Teste Imunoquímico Fecal): o que é, como funciona e por que o SUS adotou como protocolo nacional de rastreio do câncer de intestino

22 May 2026 6 min de leitura
FIT (Teste Imunoquímico Fecal): o que é, como funciona e por que o SUS adotou como protocolo nacional de rastreio do câncer de intestino

O Brasil entrou nesta semana no mapa dos países que adotam, em escala nacional, o método mais moderno de rastreio do câncer de intestino. No dia 21 de maio de 2026, o Ministério da Saúde anunciou oficialmente um novo protocolo nacional para o rastreamento do câncer colorretal no Sistema Único de Saúde (SUS), com base no Teste Imunoquímico Fecal — conhecido pela sigla FIT.

O anúncio foi feito pelo ministro Alexandre Padilha durante agenda em Lyon, na França, e marca uma mudança histórica na política de prevenção oncológica do país. A medida pode ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à detecção precoce de uma doença que, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), deverá registrar cerca de 53,8 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028 — sendo hoje o segundo tipo de câncer mais frequente no Brasil, excluindo os tumores de pele não melanoma.

Na Vinci Lab, esse exame faz parte do nosso portfólio desde o início — e foi um dos primeiros testes que decidimos trazer ao Brasil. Por isso, mais do que comentar a notícia, queremos explicar o que ela significa para a saúde pública brasileira e o que muda, na prática, para quem quer se prevenir.

O que é o teste FIT

O FIT (Fecal Immunochemical Test), ou Teste Imunoquímico Fecal, é um exame não invasivo que detecta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes — invisíveis a olho nu — que podem ser sinal precoce de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino.

Diferentemente do antigo exame de sangue oculto fecal (o método guaiaco, usado há décadas), o FIT utiliza anticorpos específicos para a hemoglobina humana. Isso traz duas vantagens importantes:

  • Maior precisão. O teste não é influenciado por alimentos ou medicamentos, porque reconhece apenas sangue humano.
  • Não exige dieta restritiva. O paciente não precisa evitar carnes vermelhas, vitamina C ou anti-inflamatórios antes da coleta, como exigia o método antigo.

Segundo o Ministério da Saúde, o FIT apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar alterações que podem indicar câncer ou lesões pré-cancerígenas no intestino.

Por que esse anúncio é tão importante

O câncer colorretal é um dos cânceres mais previsíveis e tratáveis quando descoberto cedo. O problema é que, na maioria dos casos, ele cresce em silêncio: a pessoa só percebe sintomas quando a doença já está em estágio avançado, com chances de cura significativamente menores.

O rastreio populacional — ou seja, oferecer um exame simples para pessoas sem sintomas, em uma faixa etária de risco — é a estratégia que mais reduz mortalidade por essa doença no mundo. Países como Reino Unido, Holanda, Espanha, Japão, Austrália e Estados Unidos já usam o FIT como exame de primeira linha em programas nacionais de rastreamento há anos, com evidência consolidada em estudos publicados em periódicos como o New England Journal of Medicine.

Com a decisão do SUS, o Brasil se alinha ao que há de mais consolidado em medicina preventiva internacional.

Para quem é o rastreio

De acordo com o protocolo nacional anunciado pelo Ministério da Saúde, o FIT passa a ser indicado como exame de referência para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos.

É importante diferenciar dois cenários:

  • Pessoas sem sintomas, na faixa etária de risco → o FIT é a porta de entrada do rastreio. Em caso de resultado positivo, a investigação continua com colonoscopia.
  • Pessoas com sintomas (sangue visível nas fezes, perda de peso sem causa, anemia, dor abdominal persistente, alteração do hábito intestinal) → não fazem o FIT como triagem. Devem buscar avaliação médica imediata para investigação direta.

Diretrizes internacionais como as da American Cancer Society e do U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) vêm reduzindo gradualmente a idade de início do rastreio para 45 anos, em função do aumento da incidência do câncer colorretal em adultos mais jovens. Na Vinci, seguimos essa orientação mais conservadora e oferecemos o exame a partir dos 45 anos.

Como é feita a coleta

Uma das maiores vantagens do FIT — e provavelmente o motivo pelo qual o SUS o escolheu como protocolo nacional — é a simplicidade da coleta.

  • Não há preparo intestinal.
  • Não há restrição alimentar.
  • O exame é feito em casa, com apenas uma amostra.
  • O material é enviado para análise em laboratório.

Essa simplicidade é estratégica: quanto menos barreiras o paciente encontra, maior a adesão. Em programas internacionais de rastreio, o FIT é o método com maior taxa de aceitação pela população — superando largamente outros formatos de testes de fezes e a própria colonoscopia em programas populacionais, conforme demonstrado em estudo brasileiro publicado no periódico Clinics, da Universidade de São Paulo.

FIT positivo: e depois?

É fundamental entender que o FIT é um exame de triagem, não de diagnóstico. Ele indica a presença de sangue oculto nas fezes, o que é um sinal de alerta — mas não diz, sozinho, o que está causando esse sangramento.

Quando o resultado é positivo, o paciente é encaminhado para a colonoscopia, considerada o padrão-ouro para avaliação do intestino. A colonoscopia permite visualizar diretamente o cólon e o reto, identificar a origem do sangramento e, quando necessário, remover pólipos durante o próprio procedimento — impedindo que algumas dessas lesões evoluam para câncer.

Essa lógica de duas etapas — FIT como rastreio em larga escala e colonoscopia para investigação dos casos positivos — é o que torna o protocolo eficiente: você não precisa colonoscopar toda a população, mas garante que ninguém com alteração no FIT fique sem investigação adequada.

O que muda na prática para quem quer se prevenir

A adoção do FIT pelo SUS é uma excelente notícia para a saúde pública brasileira. Mas é importante entender que a implementação de um protocolo nacional dentro do SUS é gradual: envolve aquisição de kits, treinamento de equipes, integração com colonoscopia complementar e capilaridade em milhares de unidades de saúde.

Para quem está na faixa etária de risco e quer começar a se prevenir agora — sem esperar a chegada do programa na sua região — o exame de rastreio do câncer de intestino com tecnologia FIT já está disponível há tempos na Vinci, com coleta em casa e resultado analisado em laboratório com selo de acreditação PALC e CAP.

No próximo artigo, explicamos em detalhes o teste FIT InSure® da Quest Diagnostics — a tecnologia exata que oferecemos na Vinci e que é uma das mais validadas internacionalmente nesse segmento.

Referências

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA), Ministério da Saúde. SUS adota novo exame para detectar câncer de intestino antes de sintomas. Notícia oficial publicada em 21 de maio de 2026. Disponível em: gov.br/inca
  2. Agência Brasil, Empresa Brasil de Comunicação. SUS adota novo exame para rastrear câncer colorretal na população. Reportagem publicada em 21 de maio de 2026. Disponível em: agenciabrasil.ebc.com.br
  3. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2023: Incidência de Câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA. Disponível em: gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros
  4. U.S. Preventive Services Task Force. Colorectal Cancer: Screening. Recommendation Statement, 2021. Disponível em: uspreventiveservicestaskforce.org
  5. American Cancer Society. American Cancer Society Guideline for Colorectal Cancer Screening. Disponível em: cancer.org
  6. Quintero E, Castells A, Bujanda L, et al. Colonoscopy versus Fecal Immunochemical Testing in Colorectal-Cancer Screening. New England Journal of Medicine. 2012;366(8):697-706. DOI: 10.1056/NEJMoa1108895
  7. Nahas SC, Nahas CSR, Marques CFS, et al. Implementation of an organized colorectal cancer screening in an urban low-income community in São Paulo, Brazil. Clinics (São Paulo). 2023. Disponível em: revista-clinics.elsevier.es
  8. Monahan KJ, Davies MM, Abulafi M, et al. Faecal immunochemical testing (FIT) in patients with signs or symptoms of suspected colorectal cancer (CRC): joint guideline from the Association of Coloproctology of Great Britain and Ireland (ACPGBI) and the British Society of Gastroenterology (BSG). Gut. 2022;71(10):1939-1962. PMC: PMC9484376

Este artigo tem fins informativos e educativos. Não substitui consulta médica. Para avaliação individual e indicação de exames, procure um profissional de saúde.

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